O dia em que eu aprendi que o mundo não girava ao meu redor

Hoje eu vou abordar um assunto, como uma crítica construtiva, em formato de autobiografia. É bom, porque eu consigo olhar para trás e ver que melhorei e, ao mesmo tempo, deixo claro que não sou a palmatória do mundo: pelo contrário, aprendi – e ainda aprendo – com meus próprios erros.

"O mimado é aquele indivíduo que age como uma criança de 5 anos de idade: acredita e age como se o mundo girasse em torno de si mesmo, é mais reativo que reflexivo (muitas vezes não é nada reflexivo), faz birra, manipula, impõe seus desejos, vive de imediatismo e de ilusões, não sabe fazer escolhas e quando as faz não assume as consequências. O mimado age muito pelo que sente e não pela razão" trecho retirado do blog Vida e Psicologia, A Doença do Mimado.
 

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MENINA MIMADA
Em um momento da minha vida eu fui filha única. E, de certa forma, tenho ressalvas em relação à minha criação. Sou grata por ter recebido tudo do melhor, dentro do que meus pais podiam me dar: tive uma excelente educação e ótimas oportunidades, algo que me leva a bons caminhos até hoje. Por outro lado, no entanto, eu cresci com o pensamento errado de que porque meus pais faziam "tudo" o que eu queria, as outras pessoas também tinham que fazer.

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Imagem: Tumblr [reprodução].

E é como aquele velho ditado diz, né: ouça seus pais, pois a vida não ensina com o mesmo amor. Eles bem que tentaram me avisar que a vida não me trataria como eles me tratavam. Como eu não os ouvi, eu aprendi da maneira mais dura, com ela. 

Por ter sido filha única e assistir a meus pais lutando para me dar tudo, eu simplesmente achava que as outras pessoas deveriam agir igual. Amigos, namorados, enfim, qualquer pessoa do meu convívio tinha que fazer o que eu queria. Eu simplesmente não sabia ouvir "não". Era mais forte que eu.
Quando nos deixamos cegar pelo egoísmo e pelo mimo, simplesmente nos esquecemos de que para os nossos pais nós somos importantes; para as demais pessoas, nem tanto. Nossos pais – ou qualquer pessoa que nos ame incondicionalmente – vai nos colocar à frente deles, o que não significa que, na vida, isto sempre irá acontecer. Pelo contrário.

FRUSTRAÇÃO E VERGONHA
Mas não é para sentir pena de mim, não: é para se revoltar. Afinal, uma pessoa mimada não pensa nos outros, apenas em si própria. E era como eu pensava. O egocentrismo, formado através do mimo, não permite que uma pessoa, cega por ele, seja capaz de colocar outras pessoas na frente dela ou, ao menos, de pensar nos outros também, além de pensar só em si mesma. Quando pensamos que o mundo gira em nosso entorno, achamos que a obrigação dos outros é satisfazer às nossas vontades. E isso é frustrante.

Eu, de verdade, tenho vergonha de um dia já ter sido assim. Ao menos eu sei reconhecer o que já fui e posso me olhar agora e ter consciência de que sou diferente. Eu não venho aqui, com este texto, pregar o altruísmo – porque não sou altruísta; venho apenas dizer que amor próprio é muito diferente de um egocentrismo desmedido. Amor próprio é importante de se ter e se cultivar; egocentrismo é completamente dispensável.

Confesso que tenho certa pena de pessoas mimadas e egocêntricas desmedidas, para falar a verdade. Porque, no fundo, elas sofrem de uma carência insaciável e sempre estão infelizes. E elas vão quebrar muito a cara com a vida, ainda, até entenderem como as coisas funcionam – assim como eu quebrei. Elas vão se revoltar, vão se sentir irremediavelmente frustradas e, muito provavelmente, vão fazer algumas inimizades até se tocarem de que o mundo não gira em torno delas. Porque ele nunca vai girar, por mais que elas se revoltem.

PRÓXIMO PASSO
Para completar o contexto da personalidade de uma pessoa mimada e egocêntrica, ela exerce muito outras duas coisas terríveis: a incompreensão e a ingratidão. Ou seja: qualquer gentileza que lhes seja feita é encarada como obrigação por essa pessoa. Ela não irá reconhecer seu esforço e nunca se sentirá grata pelas coisas que fizer. E, quando você não puder fazer algo por ela, porque algum motivo de força maior lhe impede, ela será cruel. Ela não irá compreender seus motivos e arrumará um jeito de tentar fazer você se sentir culpado (a). Complicado, né!?

Meu próximo passo, para tentar algum tipo de evolução mental e sentimental, é não sentir raiva quando me deparo com estas pessoas e situações. Confesso que ainda não alcancei este nível. Embora eu diga a mim mesma, a todo tempo, que cada um dá o que tem e que eu tenho que dar meu melhor, independente se o outro fará o mesmo, é muito difícil não se magoar com injustiça, incompreensão e ingratidão. Ainda assim, não é justo sofrer por causa dos outros, ainda que pensemos neles. Talvez, uma boa forma de pensar para começar é que você tenha sua consciência tranquila com você mesma – coisa que a pessoa mimada não tem – e pensar que fez tudo o que podia.

Dê sempre seu melhor, independente para quem seja; se o outro não reconhece ou te devolve com coisas ruins, você simplesmente não se deixa afetar por isso. Não aceite sofrer por coisas que você não merece. Creio que isto faça parte do primeiro passo. E aos mimados: desejo que deixem de ser, assim como venho deixando. Eu lhes garanto: vocês serão muito mais felizes!

"A única pessoa com a qual você pode se comparar é com você mesmo, no passado" – Sigmund Freud.

beijos,

Marcéli Paulino

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